Papel
radiográfico
tem mais chumbo do que o permitido por lei
Pesquisadores
da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP detectaram pela
primeira vez chumbo nos papéis que recobrem as
películas radiográficas usados por cirurgiões-dentistas
em radiografias da boca. O papel, um dos componentes
de uma placa introduzida na boca, costuma ser descartado
em lixo comum, sem cuidados de proteção,
oferecendo riscos a quem o manuseia e ao meio ambiente.
A concentração de chumbo no papel é de
991 partes por milhão, dez vezes maior do que
a permitida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama)
para materiais descartados no lixo comum. O chumbo altera
o sistema nervoso, danifica os rins, causa anemia, diminui
a fertilidade e atravessa a placenta e também
aumenta a agressividade.
A pesquisa
mostrou que o metal solta-se com grande facilidade
do papel. Portanto, ao contrário
do que recomendam os fabricantes, ele não deveria
ser reciclado ou descartado sem cuidados especiais.
A placa
usada na radiografia é recoberta
por um plástico que protege o paciente de ser
contaminado. Os cientistas descobriram que quando o raio
atravessa a placa, acaba fazendo com que o metal contamine
o papel. A Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) obriga que a camada de chumbo
e de prata seja descartada corretamente, mas permite
que o papel seja lançado em lixo comum. Segundo
o estudo, não há estimativas da quantidade
de papel utilizada pelos 228.579 dentistas cadastrados
na Confederação Brasileira de Odontologia.
Descarte - Atualmente,
pesquisadores do Laboratório de Gerenciamento
de Resíduos Odontológicos (Lagro), onde
foi desenvolvida a pesquisa, desenvolvem um método
para descontaminar o papel. O papel da placa deve ser
encaminhado para laboratórios especializados em
recuperar chumbo. Quem mora na região de
Ribeirão Preto pode encaminhar os resíduos
para o Lagro, localizado na Avenida do Café, sem
número, na FORP.
Cuidados - Recomenda-se
que profissionais que manuseiam a placa radiográfica
usem luvas de látex e máscaras específicas
para proteger do chumbo.
O
estudo teve a participação
dos professores Jesus Djalma Pécora, coordenador
do Lagro, de Márcia da Veiga, do Departamento
de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências
e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, e
de Reginaldo S. Silva, da FORP. A pesquisa foi publicada
no Journal of Hazardous Materials e está disponível
para consulta no site da ScienceDirect.
fonte: Jornal do site Odonto
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