Pesquisadores
da Universidade de São
Paulo (USP), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
e Universidade Estadual Paulista (Unesp) descobriram novas
evidências de que inflamações na boca
podem levar a doenças cardiovasculares, como infarto
e derrame. O novo estudo mostrou que pacientes com a doença
nas gengivas têm níveis até quatro
vezes mais altos de triglicérides no sangue. Além
disso, têm níveis mais baixos de HDL, o “bom
colesterol”.
O
professor Antônio Martins Figueiredo
Neto, do Instituto de Física da USP, um dos autores
dos estudos, explicou em entrevista ao UOL que a doença
periodontal leva o sistema imunológico a lutar contra
as bactérias, mas o organismo acaba atacando o que
não deve também. O processo gera o que os
cientistas chamam de LDL (ou “mau colesterol”)
modificado, o verdadeiro vilão da saúde cardiovascular.
Se
o LDL estiver íntegro, afirmou
o pesquisador, ele é metabolizado no fígado
e levado pelo HDL para ser excretado. Ou seja, a pessoa
não precisa de remédios para baixar o colesterol. “Mas
o LDL modificado não participa do metabolismo e
fica depositado na parede das artérias”, disse.
O resultado é a aterosclerose.
O
estudo contou com uma nova técnica,
chamada de Varredura-Z, para a dosagem da quantidade de
LDL modificado no plasma. Os resultados revelaram que pacientes
com periodontite são portadores de um maior número
de LDL modificadas quando comparados com os pacientes controle.
A
análise foi feita em 40 pacientes
com periodontite crônica, monitorados ao longo de
um ano. Após tratarem a doença, a concentração
de LDL modificada caiu significativamente, mostrando que
a saúde bucal tem uma importância maior para
a saúde do que simplesmente conservar o sorriso.
De
acordo com dados do Ministério
da Saúde, apenas dois em cada dez adultos possuem
gengivas sadias. Entre os idosos, a taxa é de apenas
10%.
Fonte:
UOL Ciência |