Grupo
da FORP demonstra importância da higienização
de escovas de dente
Cristiane Sinatura, do USP Online
cristiane.sinatura@usp.br
Quente, úmido e abafado – assim é o ambiente
ideal para a proliferação de bactérias.
E assim fica sua escova de dente quando você a guarda
no armário do banheiro ou em estojo próprio. “Se
não for feita a higienização correta da
escova após o uso, ela se torna propícia à multiplicação
das bactérias naturalmente presentes na boca e que,
durante a escovação, alojam-se nas cerdas”,
explica o professor Paulo Nelson Filho, da Faculdade de Odontologia
de Ribeirão Preto (FORP) da USP.
Nelson Filho é pesquisador na linha de "Prevenção
em Odontologia - Estudos microbiológicos, clínicos
e por microscopia eletrônica de varredura", da pós-graduação
da FORP. Desde 1999, o grupo foca, principalmente, em análises
e estudos relacionados à contaminação
e desinfecção de itens como escovas de dente,
chupetas e aparelhos ortodônticos.
Ele explica
que, na boca, se encontram cerca de 900 espécies
de bactérias, capazes de viver até 24 horas entre
as cerdas das escovas dentais, onde se multiplicam e tornam
a entrar em contato com a boca na próxima escovação,
colaborando para uma maior probabilidade de ocorrência
de doenças como a cárie dental, alterações
gengivais e lesões da mucosa bucal. “Hoje a preocupação
maior do mercado odontológico é com o desenvolvimento
de materiais e técnicas inovadoras, esquecendo-se muitas
vezes da importância de cuidados básicos, como
o armazenamento, troca e desinfecção das escovas”,
afirma.
Apesar desses
cuidados com a escova ajudarem a prevenir males causados
por bactérias, a população não
cultiva o hábito de higienizar itens que entram em contato
com a boca – é o que aponta levantamento da FORP
publicado recentemente na revista da Associação
Brasileira de Odontologia. O pesquisador defende que a orientação
deve partir dos profissionais, de modo que se torne parte da
rotina dos pacientes. “Assim como ninguém reutiliza
fio dental ou veste a mesma roupa por dias seguidos, a desinfecção
desses itens é um hábito de higiene pessoal
que deve ser adquirido”, completa o especialista da FORP.
Pesquisas, resultados
e recomendações
Um dos principais estudos realizados pelo pesquisadores em
prevenção na FORP é a análise
de agentes antimicrobianos, que determinam quais deles são
mais eficazes na eliminação de bactérias.
São testados os componentes de produtos para esse
fim já disponíveis no mercado. Nelson Filho
afirma que, até agora, a clorexidina, em concentração
de 0,12%, se mostrou o mais eficaz dos princípios
ativos.
Apesar de não existirem estudos comparativos entre
indivíduos que desinfetam suas escovas e aqueles que
as guardam sem qualquer procedimento higiênico, Paulo
Nelson afirma que já foram detectados casos de pacientes
cuja incidência de lesões na mucosa diminuiu depois
de adotado o hábito de higienização.
Como deve ser
feita então a higienização
das escovas? O professor da FORP recomenda a utililização
de agentes antimicrobianos disponíveis no mercado (como
enxaguantes bucais), acondicionados pelo próprio paciente
em frascos de plástico ou vidro, em forma de spray.
O produto deve ser borrifado nas cerdas e na cabeça
da escova uma vez ao dia, após a escovação
noturna. O professor complementa, ainda, que o próprio
creme dental pode colaborar para a higienização
da escova. Os mais indicados, segundo ele, são aqueles
que contêm flúor e, mais especificamente, que
apresentam "ação total ou global".
Além disso, o usuário deve estar atento para
a higienização em água corrente antes
da próxima escovação, para retirar as
bactérias mortas. “Depois do uso, deve-se bater
o cabo da escova na pia, para eliminar o excesso de água,
mas nunca secá-la em toalha de banho ou rosto”,
recomenda Paulo, que indica três meses, em média,
como o tempo ideal entre a troca da escova velha por uma nova.
Em relação ao armazenamento, o professor aponta
que a escova não deve ficar sobre a pia. “O banheiro é o
local mais contaminado de uma casa. Temos pesquisas que comprovam
a presença de coliformes fecais alojados em escovas,
em função das descargas e da proximidade com
o vaso sanitário”, expõe ele. Portanto,
o melhor é guardar a escova desinfetada no armário
do banheiro. O próximo passo nas pesquisas do grupo é a
análise de escovas, recém-lançadas no
mercado, que apresentam ação antimicrobiana para
reduzir o acúmulo de bactérias nas cerdas.
Outro tema abordado
na linha de pesquisa de prevenção
em odontologia relaciona-se ao que o professor chama de “adequação
do meio bucal”. O especialista explica que, mais do que
tratar os sintomas das doenças bucais, como a cárie
dental, por exemplo, é necessário curar a doença
em si. Assim, antes de fazer restaurações é preciso
tornar a boca saudável, de uma maneira durável,
controlando os agentes causadores de cárie. O grupo
da FORP analisa quais são os materiais e técnicas
mais eficientes a serem adotados no tratamento.
Sobre o método de pesquisa e divulgação,
o Nelson Filho explica que é essencial um intercâmbio
com outras disciplinas e unidades do campus de Ribeirão
Preto e demais universidades do Brasil e do exterior. “Depois,
todos os resultados a que chegamos nas pesquisas são
incorporados às aulas de graduação e de
pós-graduação da faculdade, e divulgados
ao meio científico por meio de teses e publicação
de artigos em revistas especializadas, nacionais e internacionais”,
finaliza.
Mais informações:
(16) 3602-4099 / 4055, com o professor Paulo Nelson Filho
Fonte: Agência USP de Notícias
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