| Gordura
subcutânea da barriga não faz mal à saúde
Por Beatriz
Flausino - beatriz.flausino@usp.br
A gordura
subcutânea da barriga, que fica logo abaixo
da pele, não faz mal à saúde. Uma
pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) aponta
que essa gordura não tem efeito sobre o metabolismo
de mulheres que passaram por cirurgia plástica na
barriga (dermolipectomia abdominal). As participantes do
estudo foram mulheres obesas que passaram por cirurgia
de redução do estômago (bariátrica).
“Pesquisas anteriores mostraram que a dermolipectomia
abdominal causa uma melhora no metabolismo [conjunto de
transformações que as substâncias químicas
sofrem no interior do corpo], outros que há uma
piora. Concluí que não há alteração
no metabolismo dessas pacientes”, explica a médica
Vyvianne Azoubel Roizenblat, responsável pela tese
de doutorado Efeito da dermolipectomia na sensibilidade à insulina
em mulheres obesas, em fase de estabilidade de peso, após
cirurgia bariátrica.
Ela também escalerece que “a gordura
visceral [que fica nas camadas profundas do abdome, em
volta dos órgãos] tem conhecidos efeitos
negativos para a saúde, como predisposição
a desenvolver doenças cardiovasculares, mas a gordura
subcutânea ainda tem um papel controverso nos estudos”.
Cirurgia
plástica
Logo depois de uma cirurgia de redução do
estômago, por causa da grande perda de peso, muitas
mulheres ficam com uma sobra de pele na barriga. Muitas
delas optam por uma cirurgia plástica para remover
esse excesso. Vyvianne mediu a sensibilidade à insulina
nessas mulheres antes e depois da cirurgia plástica
abdominal. A insulina é o hormônio responsável
pela redução da glicemia (taxa de glicose
no sangue), pois promove o ingresso de glicose nas células.
Ela também é essencial no consumo de carboidratos,
na síntese de proteínas e no armazenamento
de lipídios (gorduras).
O exame utilizado na pesquisa, chamado clamp euglicemico
hiperinsulinemico, consiste em medir a absorção
de glicose das mulheres e é considerado o metodo “padrão-ouro” para
avaliar a sensibilidade à insulina. A médica
explica: “se ela [a paciente] capta mais
glicose durante o exame isso é bom, isso
indica que ela tem menos chances de desenvolver diabetes
no futuro; já se ela capta pouca glicose, significa
que ela é menos sensível, ou seja, mais
resistente à insulina, e que pode vir a desenvolver
diabetes no futuro.”
Entre as
participantes do estudo, houve diferenças
nos resultados de acordo com a idade. As mais jovens (até 36,6
anos) tiveram uma melhora na sensibilidade à insulina
depois da plástica. As mais velhas (acima de 36,6
anos) tiveram uma piora. Segundo Vyvianne, algumas explicações
para isso são que as mulheres mais velhas têm
menos massa magra. Assim, captam menos glicose e, além
disso, estão mais próximas da menopausa e
por isso produzem menos estrógeno, hormônio
sexual feminino que tem um papel protetor na resistência à insulina.
Gordura
subcutânea
Apesar de a gordura acumulada na barriga pelas mulheres
que fazem cirurgia de redução do estômago
não ter influência no metabolismo ela tem
outras consequências.
Além de apresentar um mau efeito estético,
essa gordura pode acarretar doenças de pele, como
micoses, e, em alguns casos atrapalha a visualização
da genitália. “Essa cirurgia tem muita procura
pelas mulheres que fazem cirurgia bariátrica e aumenta
a qualidade de vida e a saúde dessas mulheres. Não
posso afirmar que há uma melhora no metabolismo,
mas posso dizer que não fará mal a elas”,
explica Vyvianne.
Mais
informações: email vazoubel@gmail.com
Fonte: www.usp.br/agen/
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